CONTOS
O GRITO DO IPIRANGA: UM GRITO SEM ECO ?

Naquele
07 de setembro de 1822, vínhamos eu e meu carro de bois, quando à
margem de um riacho cristalino chamado Ypiranga, homens a cavalo apareceram
galhardamente vestidos com uniformes de soldados do Império. Grande
agitação se seguiu, quando outros encontraram. Então
um que parecia o principal, após confabulações, sacou
sua espada e gritou " Independência ou Morte ". Todos aplaudiram
de contentamento.
Mais tarde fiquei sabendo que aquele do grito era o tal de D.Pedro, que
se tornou o primeiro imperador do Brasil.Também fiquei surpreso,
quando vi o quadro do artista Pedro Américo e notei no seu canto
esquerdo: eu e meu carro de bois.
Não se assustem, é que Deus acabou esquecendo de me levar,
ante a grande confusão que se seguiu no Brasil e no mundo, e isso
permitiu que nestes longos 173 anos pudesse eu ver que uma coisa aquele
famoso grito não mudou: a dependência humana à sua
pobreza espiritual.
Vi com pesar milhares de conflitos e guerras entre os homens, com morte
de milhares de pessoas; tudo em prol da decantada liberdade.
Nações
sofreram e continuam sofrendo o amargor do racismo, de ideologias virulentas,
da perseguição étnica e social. A humanidade continua
caminhando sobre traumas incuráveis. É o homem engolindo
o homem.
Enquanto a humanidade não tomar ciência de que a liberdade
é uma questão interna de cada um de seus membros; lutas seguirão;
enquanto os homens não perceberem que suas ações são
apenas reflexos de seu interior; vidas ceifar-se-ão; enquanto as
pessoas não notarem que o que as escraviza e as torna belicosas
são o egoísmo interno e a falta de conhecimento de sua natureza;
conflitos haverão.
Urge que todos reflitam sobre as suas ações e, principalmente,
quais as causas que as originaram e fazendo uma reflexão profunda
percebam que a paz interior pode levar à paz exterior, porque suas
ações serão o reflexo de seu interior, o que as tornariam
mais tolerantes e conseqüentemente pacifistas.
Se não houver esta conscientização a nível
pessoal e social, gritos como o do Ypiranga não passarão
de gritos sem eco e se quedarão fossilizados, deixando apenas perplexa
a massa inconsciente.
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Texto: Antonio Silveira R. dos Santos
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